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Abrandar o ritmo da vida: a importância da formação interior.

Muitas pessoas criam para si ritmos frenéticos de vida que o coração não consegue seguir. O poeta e ensaísta Charles Baudelaire (1821-1876) escreveu que : “as cidades, hoje, transformam-se mais rapidamente do que o coração de um homem”.
Existe um excesso de tudo em demasia em relação à quilo que somos capazes de suportar.
Uma velocidade frenética que agrada a muitos, faz as pessoas se sentirem úteis, preenche os tempos mortos porém a custa de nos distanciarmos cada vez mais de nos olharmos por dentro.
O ritmo acelerado das vidas vai com o passar do tempo trazendo consequências visíveis que no início não são percebidas. A percepção dos ritmos da vida precisa ganhar significado o que exige que a pessoa elabore seu passado à luz de novas vivências. A vida temporal tem seus ritmos, a vida psíquica tem seus ritmos e a vida espiritual tem seus ritmos. Infelizmente acontece num mundo acelerado um colapso dos ritmos. O que pode gerar o vazio existencial, a depressão, a ansiedade, o Burnout.
O ativismo do ritmo acelerado desmantela o centro, onde cada pessoa é o que é, e conduz muitas vezes para um mundo perdido e desorientado de fragmentos. Gera seres fragmentados.
Vive-se relações humanas frágeis e descontínuas que tornam cada vez mais difícil as amizades duradouras e profundas, bem como as relações amorosas.
Na África existe um ditado que faz pensar: “Paremos para permitir às nossas almas que nos alcancem”.
Na vida verdadeira, onde o quotidiano tem o seu preço e valor mais altos, o ritmo a que devemos obedecer deve ser lento. A pressa anestesia, mas não permite que as feridas se curem. Vivemos numa sociedade profundamente ativa que não respeita os ritmos da própria vida. A depressão é um grito de ajuda para desacelerar o ritmo da existência.
É preciso aprender a lentamente conhecer as pouquíssimas coisas em que dura o eterno. A aceleração do tempo faz com que o presente seja volátil. Não devemos esquecer que o presente é o lugar dos encontros, das emoções, dos sentimentos, das escolhas profundas, o que exige escapar das coisas efêmeras, exige tempo de valorizar e viver.
Tanta aceleração torna as pessoas estranhas a si mesmas e aos outros. É preciso recobrar a lentidão do essencial. Redobrar a atenção aos outros.
Se a nossa vida for ancorada nos valores e a nossa confiança bem estruturada, a flexibilidade acompanha-nos como sabedoria e saberemos distinguir o que é essencial. A autodeterminação flexível, centrada nos valores, é uma característica da maturidade.
A vida deve ser uma dilatação do coração. É preciso se dar tempo e espaço. Perceber os lugares e os ritmos mais elementares da existência humana, com seus cumes e seus abismos, a sua graciosidade e o seu custo.
Talvez precisamos voltar a arte da lentidão. Os nossos estilos de vida parecem irremediavelmente contaminados por uma pressão que não dominamos, não há tempo a perder; queremos alcançar as metas o mais rapidamente que formos capazes.
Saber viver com serenidade, aprendendo com paciência o ritmo da vida. Essa sabedoria não se adquire automaticamente com a idade, mas com a formação interior, com uma autêntica educação da mente e do coração.

Prof. Dr. José Pereira da Silva







  • Fontes: PROFESSOR DR. JOSÉ PEREIRA DA SILVA

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