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amor para além da morte: viver é amar

O amor aparece-nos como uma espécie de trança, intimamente entrelaçado como está na dinâmica da vida mas também da morte. Sem amor não há vida e sem vida não há futuro, tal como também há amor para além da morte.
Mais do que ser o sal da vida que é, o Amor atua, simultaneamente, com força propulsora e, digamo-lo em termos atuais, como motor de busca que nos permite chegar até o lugar do Outro.
Porque há tantos caminhos do Amor e para o Amor como existem corações, que são, por natureza, complexos labirintos onde facilmente nos perdemos ou enclausuramos.
O percurso de vida de cada um de nós é feito de pequenos passos e gestos, de desencontros , retrocessos, solavancos e quedas, mas também de algumas pequeníssimas, como centelhas de luz. E essa luz [e, não pode ser senão a do Amor.
A reflexão humaníssima que cada homem e cada mulher fazem desde sempre e em todas as culturas: viver é amar.
Todos os seres humanos percecionam que a realidade indigna da morte por excelência é o amor. Quando, com efeito, chegamos a dizer a alguém amo-te, isso equivale a dizer “eu quero que tu vivas para sempre”.
A nossa vida encontra sentido apenas na experiência de amar e do ser-se amado, e todos estamos à procura de um amor com traços de eternidade.
O amor e a morte são os dois inimigos por excelência: não a vida e a morte, mas o amor e a morte. A morte, que tudo devora, que vence inclusive a vida, encontra no amor um inimigo capaz de resistir-lhe A consciência de que o amor pode combater a morte.
A morte é o sinal por excelência da fragilidade humana. Cada um traz dentro de si o sentido do eterno, a ânsia de eternidade, e todavia é obrigado a constatar a inexorável presença da morte que se opõe fortemente à sua vida.
Lemos no Cântico dos Cânticos, na conclusão do livro uma afirmação extraordinária; a amada diz ao amado: “Grava-me como selo em teu coração, como selo no teu braço, porque forte como a morte é o amor, implacável como o abismo é a paixão; os seus ardores são chamas de fogo, são labaredas divinas” (8, 6).
O amor vivido cotidianamente e com simplicidade, gratuitamente e livremente, esse amor que não pode morrer!
Dedico esse texto a amada Sandra Crozariol que entrou na eternidade de Deus, nosso amor é mais forte que a morte!
Prof. Dr. José Pereira da Silva












  • Fontes: PROFESSOR DR. JOSÉ PEREIRA DA SILVA