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o lugar onde só podemos ser quem somos.

Vulnerabilidade não é espetáculo, performance emocional ou moeda de validação social. A vulnerabilidade é um movimento interno e profundamente ético consigo mesmo. A vulnerabilidade toca pontos sensíveis do psiquismo.
Não se deve confundir vulnerabilidade e fraqueza, a vulnerabilidade é ser honesto consigo mesmo. É assumir e admitir sentimentos que não cabem na imagem que construímos. É reconhecer medos, contradições, ambivalências. É admitir que nem tudo na vida está elaborado, que existe dores sem nome, zonas internas e externas confusas, experiências existenciais que exigem tempo.
Admitir vulnerabilidade não é abrir mão de fronteiras, porém entender onde elas precisam existir para que o sujeito não se perca de si.
Vulnerabilidade vem de “vulnus”, corresponde ao termo latino que encontramos no poeta latino Virgílio (70 a.C - 19 a.C), que não alude unicamente ao que nos fere a pele, mas a ferida de que sangra oculta no coração” (vivit sub pectre vulnus).
A verdadeira vulnerabilidade só pode acontecer e dar frutos onde existe sustentação. A vulnerabilidade não pode se transformar em exposição defensiva, de ser validada de qualquer maneira. Não pode ser transformada em manipulação. A vulnerabilidade deve ser expressão de maturidade emocional e não simplesmente um pedido de cuidado. A vulnerabilidade é cuidar do que é sensível.
A vulnerabilidade não pode ser associada a fragilidade ou fraqueza. A vulnerabilidade é um ato de coragem. Estar aberto a novas perspectivas, como dizia o poeta , místico e pensador persa Rumi (1207-1273): “A ferida é o lugar por onde a luz entra em você”. As feridas e cicatrizes contam a nossa história e pode nos deixar mais fortes. Aceitar o que machuca é o primeiro passo para o processo de cura e amadurecimento.
A vulnerabilidade é a coragem de recomeçar, sem ilusões, abrir-se a possibilidades novas. A vulnerabilidade é um ato de amadurecimento. Toda existência traz uma bagagem de vulnerabilidades.
O ser humano não é perfeito, pode hesitar, comover-se, pode ferir-se, porém pode ser sempre “consertado” e recomeçar.
A fragilidade pede sempre a quem a encontra que aprenda a sentir-se vulnerável: vulnerabilidade não é fragilidade. A vulnerabilidade é um lugar para nos encontrar e também os outros. Não é fraqueza e sim força. Tanto a fragilidade quanto a vulnerabilidade não podem ser instrumentalizadas.
Vulnerabilidade significa capacidade de se ser ferido, abertura e exposição ao outro, nasce da renúncia ao controle. O ser humano tem lugares de vulnerabilidade. Diante da vulnerabilidade (s) muitas vezes se experimenta a precariedade das linguagens. Lidar com a vulnerabilidade é como habitar o provisório. É descobrir que “Quando me sinto fraco é que sou forte” ( 2 Cor 12,10). A verdadeira força não nasce da autossuficiência, porém de reconhecer as próprias limitações. Admitir que se é vulnerável abre espaço para se agir e se transformar. Tira-nos do comodismo.
A vida é marcada pela vulnerabilidade, o que significa reconhecer quanto ela está exposta á possibilidade de ser ferida. A vulnerabilidade é um caminho que pode trazer o bálsamo da cura.
Assumir a vulnerabilidade é ter audácia de ver nela um lugar de experiência humana. Nossa sociedade e sua cultura dominante marcada pelo automatismo transformou a vulnerabilidade num tabu. A vulnerabilidade e a fragilidade ficam no ocultamento. A vulnerabilidade permite-nos aprofundar o sentido de nossa humanidade comum. A vulnerabilidade dar-nos uma nova gramática para nos descobrirmos apesar das nossas fragilidades . Assumir a vulnerabilidade é dar significado a muitos aspectos da existência, e permitir um processo de reconstrução existencial.
A vulnerabilidade atinge a identidade, fragmenta, tira as seguranças, porém semelhante a ruínas majestosas de onde se tiram pedras para construir outros edifícios, pode ser fator de reconstrução pessoal.
A vulnerabilidade precisa ser partilhada porém sem ser pública. O sofrimento é o lugar onde só podemos ser quem somos. Ao contrário de posar para selfies em festas deslumbrantes presentes nas redes sociais , o sofrimento encontra-nos vulneráveis e despidos diante da fragilidade e feridas do corpo, do coração, da alma e da mente. Assumir a vulnerabilidade permite um processo de cura emocional. É deixar de se esconder os medos e inseguranças nas defesas psíquicas.. Aceitar que somos pessoas vulneráveis ajuda-nos a nos entendermos melhor. É ter coragem de assumir e buscar a ajuda necessária. A vulnerabilidade é um convite para escutar-se profundamente! A vulnerabilidade não é apenas um estado emocional e existencial, é uma ferramenta importante para o crescimento e transformação.
Prof. Dr. José Pereira da Silva







  • Fontes: PROFESSOR DR. JOSÉ PEREIRA DA SILVA