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Pausa Reflexiva: escutar o que vive em nós.

Vivemos num mundo acelerado que vive um ritmo frenético, mentes aceleradas. O ser humano precisa se restituir a si próprio. Para tanto é necessário aprender a repousar, e dar um passo a mais: ter pausas reflexivas.
A agitação, o movimento contínuo, o estar sempre ocupado traz muitas vezes uma falsa sensação de preenchimento do tempo. Enquanto a pausa, o repouso traz para muitas pessoas a sensação de esvaziamento.
A pausa e o repouso propiciam um encontro conosco mesmo, o que para muitas pessoas é algo difícil de gerir. A pessoa tem uma percepção equivocada de abandono. A sociedade atual tem uma busca desenfreada por lazer e divertimento. Devemos prestar atenção aos exageros. Quando existe exageros cai-se na insatisfação de uma vida anestesiada pelo divertimento. Para outros a pausa é o oposto da produção.
A pausa reflexiva é momento de contemplação da vida. É fazer as pazes com a vida.
Aprender a repousar liberta do imediatismo do mundo atual, dos desejos idealizados e mercadológicos. A pausa reflexiva na vida tem um caráter interpelante. O repouso nos liberta do ruído e nos ajuda no desenvolvimento humano. Estar quieto no pensamento e no espírito traz crescimento. A pausa traz o pensamento acompanhado por reflexão: pausa reflexiva. A pausa prenhe de significado.
Esse repouso, essa pausa existencial ajuda-nos a escutar o que vive em nós. As vezes nós falamos com a vida; outras vezes é a vida quem fala conosco. Precisamos parar e ouvir. A pausa nos coloca diante do presente de nossa vida. Acolher o que existe em nós exige pausa e silêncio. A pausa pode ser um método de interpretação da realidade.
A pausa reflexiva permite um certo distanciamento em relação aos saberes feitos; e inaugura um tempo subjetivo mais lento que nos abre à escuta da nossa vida e da realidade que nos cerca. Acolher o aqui e agora, mesmo na sua indefinição.
A pausa reflexiva aguça o olhar e nos sintoniza com o real da vida. Não é fácil entrarmos em contato com nosso núcleo vital. A pausa reflexiva traz perguntas. Nos permite fazer perguntas essenciais. Como escreveu João Guimarães Rosa (1908-1967): “Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais , é a fazer outras maiores perguntas”.
A pausa reflexiva quer vencer a camuflagem da nossa realidade, quer instaurar o desejo de autenticidade e de verdade. Quer gerar autoconsciência.
A pausa reflexiva nos incita a uma auscultação mais profunda da nossa realidade buscando respostas novas. Fugindo do imediatismo que pode causar vertigem, daquilo que a sociedade coloca como prioritário. A pausa reflexiva busca o sentido da vida e de como cada um habita o real.
A pausa reflexiva nos coloca desafios novos, porém ajuda-nos a ganhar nova consciência. Essa pausa deve nos levar a percebermos o valor de muitas dimensões de nossa vida e nos reconduzir ao essencial.
A pausa reflexiva jamais pode ser fuga da realidade nossa e daquela que nos cerca. Não é a pausa hedonista. Não é evasão. Ela é um olhar a vida com novos olhos, descobrindo o sentido daquilo que aparentemente parece não ter sentido. Apreciar os pequenos milagres de cada dia.
A pausa reflexiva nos dá a chance de reconciliarmos com nossa história pessoal, ou seja, com aspectos difíceis da nossa vida, com aquilo que não se aceita. Toda pessoa precisa se reconciliar com aquilo de que foge. Saber acolher a própria história sob novo olhar e valorizá-la.
Santo Ambrósio (340-397 d. C) dizia: “Se desejas fazer tudo por bem, de vez em quando para de o fazer”.
A pausa reflexiva produz ideias originais e não aquela atividade frenética. Pensar exige o parar! A pausa reflexiva é pausa criativa! Prof. Dr. José Pereira da Silva







  • Fontes: PROFESSOR DR. JOSÉ PEREIRA DA SILVA

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